Única acreana a chegar mais perto do título de Miss Brasil relembra 2º lugar histórico em 2006: 'Nunca imaginei'
Única acreana a chegar mais perto do título de Miss Brasil relembra 2º lugar em 2006 Faltava apenas um anúncio. Depois de ouvir seu nome entre as semifinali...
Única acreana a chegar mais perto do título de Miss Brasil relembra 2º lugar em 2006 Faltava apenas um anúncio. Depois de ouvir seu nome entre as semifinalistas e, em seguida, entre as cinco mulheres mais bem colocadas do país, a então estudante Maria Cláudia Barreto, de 22 anos, já sentia que havia superado todas as expectativas. Representando o Acre, ela acreditava que qualquer posição entre as finalistas já seria suficiente para transformar aquela noite em um marco. Então veio o penúltimo anúncio da final do Miss Brasil 2006. "Deus me surpreendeu ainda mais. Quando anunciaram que eu era a segunda colocada do Miss Brasil 2006, foi uma emoção indescritível. Jamais passou pela minha cabeça que eu chegaria tão longe", relembrou em entrevista ao g1. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp Naquele instante, a jovem entrou para a história. Desde a criação do Miss Brasil, em 1954, o mais tradicional concurso de beleza do país e responsável por escolher, durante décadas, a representante brasileira no Miss Universo, nenhuma acreana chegou tão perto da coroa nacional quanto Maria Cláudia. Vinte anos depois, o resultado continua sendo o melhor desempenho do Acre na competição. Naquele ano, a vencedora foi a gaúcha Rafaela Zanella. Hoje, aos 42 anos, ela atua como advogada. O vestido de gala deu lugar aos processos e tribunais, mas as lembranças daquela trajetória permanecem vivas. "Fico muito feliz em saber que minha trajetória ainda é lembrada com carinho. Esse é, sem dúvida, o maior legado que poderia deixar: inspirar outras pessoas a acreditarem em seus sonhos e mostrarem que, com dedicação, humildade, respeito e perseverança, é possível ir muito mais longe do que imaginamos", celebrou. LEIA TAMBÉM: Entre treinos, maternidade e novos hábitos: conheça a Miss Acre 2026 Ex-Miss Acre Mundo é eleita Rainha do Rodeio na Expoacre Juruá 2026 em Cruzeiro do Sul Acreana selecionada para o Miss Universe 2024 fica no top 13 em etapa nacional Maria Cláudia Barreto, a miss Acre que mais chegou próxima do título de Miss Brasil em 2006 Arquivo pessoal Convite inesperado Em 2006, Maria Cláudia dividia o tempo entre o trabalho como auxiliar administrativa e a faculdade de Jornalismo. Até então, concursos de beleza nunca haviam feito parte dos planos. "Era uma jovem cheia de sonhos, mas também de muitas inseguranças, como qualquer pessoa naquela fase da vida. Foi nesse período que recebi um convite que mudaria a minha história. Confesso que nunca imaginei que aquela oportunidade me levaria tão longe e marcaria a minha vida para sempre", frisou. O convite veio da então coordenadora Meyre Manaus, que a convidou para ser aclamada Miss Rio Branco, sem a realização de concurso para escolher a representante da capital. Depois veio a conquista do Miss Acre e, consequentemente, a vaga na etapa nacional. Mesmo receosa em participar, decidiu aceitar o desafio. "Nunca foi um sonho de infância participar de concursos de beleza. A oportunidade surgiu de forma inesperada e decidi abraçá-la com dedicação e responsabilidade. Hoje tenho certeza de que foi uma das decisões mais importantes da minha vida", disse. Maria Cláudia Barreto era estudante de jornalismo e foi aclamada Miss Rio Branco em 2006 Arquivo pessoal Preconceito Se o concurso ainda nem havia começado, os julgamentos já vinham ganhando força. Maria Cláudia contou que enfrentou comentários preconceituosos antes de embarcar para o Miss Brasil. As críticas tinham como alvo sua aparência e colocavam em dúvida qualquer possibilidade de destaque. "Ouvi comentários muito dolorosos sobre a minha cor, o meu cabelo e disseram que eu não teria nenhuma chance de classificação. Algumas pessoas afirmavam que eu entraria no palco apenas para sair logo em seguida, que ninguém perceberia minha presença e que eu passaria despercebida no concurso", lamentou. Mesmo em meio ao preconceito, Maria Cláudia decidiu não se retrair e se preparou, tanto fisica como emocionamente, para alcançar o objetivo que havia estabelecido. "Em vez de me deixar abater, transformei aquelas críticas em motivação. Meu objetivo passou a ser apenas um: ficar entre as dez semifinalistas. Eu queria mostrar que era capaz e representar o Acre da melhor forma possível", complementou. Maria Cláudia Barreto foi eleita Miss Acre 2006 e depois disto, se dedicou para entrar no top 10 do Miss Brasil daquele ano Arquivo pessoal Da meta inicial ao vice-campeonato Quando chegou ao concurso, Maria Cláudia percebeu que o ambiente era diferente do que imaginava. Mesmo em meio ao ar de competição, o clima nos bastidores era de receptividade e companheirismo entre as candidatas e a organização que chegou a destacar o forte potencial dela ao título naquele ano. Quando ouviu seu nome entre as dez classificadas, sentiu que a meta já havia sido alcançada. Depois veio uma nova surpresa: estava entre as cinco melhores do país. "Naquele momento pensei: 'Meu Deus, eu só queria estar entre as 15, e agora estou entre as cinco melhores do Brasil'. Se eu terminasse em quinto lugar, para mim já seria uma grande vitória", rememorou. Mas a noite ainda reservava um resultado ainda mais histórico. O anúncio da vice-colocação fez Maria Cláudia alcançar um feito que permanece inédito para o Acre. Antes e depois de 2006, nenhuma outra candidata acreana chegou tão longe como ela. "Aquele resultado representou muito mais do que uma colocação. Foi a prova de que a determinação, a educação, o respeito e a forma como tratamos as pessoas podem superar qualquer preconceito. Mostrou que o valor de uma pessoa vai muito além da cor da pele, do tipo de cabelo ou de qualquer padrão de beleza", disse. Maria Cláudia Barreto também estampou capa de revista em razão do segundo lugar no concurso em 2006 Arquivo pessoal Legado Vinte anos depois, aos 42, Maria Cláudia construiu carreira na advocacia, mas continua acompanhando o universo dos concursos de beleza. "Hoje sou advogada e encontrei no Direito uma forma de servir às pessoas e lutar pela justiça. Embora tenha seguido outro caminho profissional, continuo acompanhando o universo miss com muito carinho, porque ele faz parte da minha história e contribuiu para formar a mulher que sou hoje", falou. Na avaliação dela, o estado ainda precisa investir mais para que novas representantes tenham condições de competir em igualdade de oportunidades, uma vez que o universo miss também promove cultura, turismo e dá visibilidade ao estado. Atualmente, Maria Cláudia Barreto é advogada, mas segue acompanhando o universo miss Arquivo pessoal "Participar de um concurso como o Miss Brasil exige muito preparo, dedicação e um investimento financeiro significativo. Por isso, seria muito importante que houvesse mais apoio da iniciativa privada e também do poder público, para que outras jovens tenham condições de realizar esse sonho e representar o Acre em grandes concursos", frisou. Ao olhar para trás, Maria Cláudia diz que guarda um sentimento que vai além da colocação alcançada há duas décadas: o orgulho de ter levado o Acre ao resultado mais expressivo de sua história no concurso e de continuar inspirando outras jovens a acreditarem que é possível chegar mais longe do que imaginam. "É um sentimento de muito orgulho e gratidão. Mais do que conquistar o segundo lugar no Miss Brasil, tive a oportunidade de representar o Acre em nível nacional e mostrar que o nosso estado tem mulheres preparadas, determinadas e capazes de competir em igualdade com qualquer outro estado brasileiro. Senti que estava levando o nome do Acre para todo o país e mostrando que nosso estado merece ser conhecido e valorizado", finalizou. Maria Cláudia Barreto atualmente tem 42 anos, mora no Acre e é advogada Arquivo pessoal VÍDEOS: g1